Brasil: Mapas e Cartas
Sobre o curso
O Brasil não nasceu apenas de um feito heróico ou de um decreto — nasceu de cartas escritas a bordo de naus, de medições astronômicas feitas em praias desconhecidas, de mapas desenhados com tinta ferrogálica e penas de ganso, de tratados negociados em salas europeias com base em documentos que distorciam propositalmente a geografia. Este curso percorre essa história pelo caminho mais direto: os documentos originais.
O professor Jorge Pimentel Cintra, engenheiro, cartógrafo e historiador, conduz uma leitura comentada das fontes primárias da história colonial brasileira — da Carta de Pero Vaz de Caminha à Carta de Mestre João, do mapa de Luiz Teixeira ao Mapa das Cortes que embasou o Tratado de Madri. A perspectiva é a de quem une rigor científico ao prazer da investigação: cada documento é interrogado, comparado com outros, submetido à crítica e, quando necessário, corrigido.
O resultado é uma visão do Brasil colonial que vai da praia de Porto Seguro em 1500 até a diplomacia do Barão do Rio Branco e a Independência — sempre ancorada em fontes, sempre disposta a questionar o que se repete há décadas nos livros didáticos. O tom é o de quem pesquisa de verdade: sem papagaios, sem certezas fáceis, com a honestidade de quem vai até os originais.
Para quem é este curso
- Professores de história que querem fundamentar suas aulas em fontes primárias brasileiras
- Interessados em cartografia histórica e na formação territorial do Brasil
- Leitores curiosos sobre como se lê e critica um documento histórico de 500 anos
- Pesquisadores amadores que desejam aprender metodologia de pesquisa histórica com rigor
- Brasileiros que querem entender como o país foi cartografado, demarcado e consolidado
O que você vai aprender
- Ler e interpretar criticamente a Carta de Pero Vaz de Caminha como documento histórico
- Compreender os instrumentos e métodos de navegação e determinação de latitude em 1500
- Analisar a Carta de Mestre João e seu papel na história da cartografia brasileira
- Identificar erros e distorções nos mapas históricos das capitanias hereditárias
- Distinguir a tese do achamento acidental da tese da descoberta intencional do Brasil
- Entender como o sistema de sesmarias e capitanias organizou o território colonial
- Reconstruir o conflito entre jesuítas, colonos e indígenas em São Paulo colonial
- Explicar como o Tratado de Madri e o Mapa das Cortes definiram as fronteiras do Brasil
- Rastrear a formação territorial brasileira desde Tordesilhas até os tratados da República
- Aplicar técnicas de crítica documental a mapas, cartas e transcrições históricas
Por que isso importa
Entender como o Brasil foi registrado — em cartas, mapas e tratados — é entender como as decisões sobre quem manda, quem possui e quem pertence a este território foram tomadas. Não é uma curiosidade erudita: é a base para compreender disputas de fronteira que duraram séculos, a lógica da colonização, os mecanismos pelos quais povos foram dominados ou protegidos, e o modo como documentos — fidedignos ou adulterados — moldaram a realidade.
Quem aprende a ler esses documentos com atenção crítica aprende também a não aceitar passivamente o que está escrito em qualquer lugar. O mesmo método que revela um erro no mapa de Luiz Teixeira ou uma distorção propositada no Mapa das Cortes serve para examinar qualquer narrativa que se apresente como definitiva. Esse curso oferece, ao mesmo tempo, história do Brasil e uma escola de método.
Currículo do curso
- Guia de leitura da carta de 1500, com análise do itinerário da frota, do primeiro encontro com os indígenas, da primeira missa e do debate sobre se o achamento foi acidental ou intencional.
- Leitura paleográfica e crítica da carta de Mestre João, detalhando a primeira medição de latitude no Brasil, o uso do astrolábio e das tabelas de Abraão Zacuto, e a primeira descrição do céu austral.
- Análise crítica do mapa de Luiz Teixeira, identificação de seus erros históricos e cartográficos, e apresentação da proposta alternativa de redesenho das capitanias hereditárias baseada nas cartas de doação originais.
- Reconstituição da história de São Paulo a partir das atas da câmara e mapas coloniais, com análise do conflito entre escravismo bandeirante e a ação catequética e humanitária dos jesuítas.
- Percurso pelos tratados que definiram o território brasileiro — Alcáçovas, Tordesilhas, Madri, Santo Ildefonso —, com análise do Mapa das Cortes e das expedições de demarcação no interior do Brasil.
- Reconstituição dos acontecimentos de 1821 a 1822 — a vinda da família real, a Revolução do Porto, o papel de José Bonifácio e a sequência de fatos que culminou na proclamação às margens do Ipiranga.
Teste seu conhecimento sobre Brasil: Mapas e Cartas
A carta de Pero Vaz de Caminha é frequentemente chamada de "certidão de batismo do Brasil". Qual é a razão dessa designação?
Curiosidades que despertam o interesse
Quase 25 cartas foram escritas ao rei Dom Manuel sobre o achamento do Brasil. Apenas duas sobreviveram — a de Pero Vaz de Caminha e a de Mestre João. As demais se perderam, talvez para sempre, nas montanhas de documentos não catalogados da Torre do Tombo.
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Perguntas frequentes
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