Como Estudar História
Sobre o curso
A história é uma das áreas do conhecimento mais sujeitas à manipulação — e também uma das mais mal ensinadas. Quem passou pela escola sabe o que é decorar datas e nomes sem jamais entender por que os fatos aconteceram, quem os interpretou e com que intenção. Este curso parte de um ponto diferente: antes de ensinar como estudar história, Rafael Tonon explica o que a história é — e o que ela não é.
O professor percorre as definições clássicas de Heródoto, Tucídides, Marc Bloch e Jacques Le Goff para mostrar que a história não é um arquivo do passado, mas o estudo do homem e de sua ação no tempo. A partir daí, examina as principais correntes historiográficas — do positivismo à Nova História —, os conceitos de tempo cronológico e tempo histórico, e os erros mais comuns de quem lê ou ensina história: o anacronismo, a generalização apressada, a narrativa ideológica disfarçada de fato.
A segunda metade do curso é francamente prática. Tonon propõe vinte e um passos para construir uma vida intelectual séria em torno do estudo histórico: como estabelecer uma cronologia, como selecionar e confrontar fontes, como distinguir obras confiáveis de obras ideológicas, como desenvolver o hábito de leitura simultânea e o que significa, na tradição de Agostinho, meditar sobre o que se leu. A abordagem é exigente, direta e sem promessas fáceis.
Para quem é este curso
- Pais que ensinam os filhos em casa e precisam de uma base sólida para abordar história
- Estudantes universitários que percebem que as aulas de história têm mais ideologia do que conteúdo
- Autodidatas que leem história com interesse mas sem método para avaliar o que leem
- Professores de ensino fundamental e médio que querem rever os fundamentos da disciplina que ensinam
- Leitores de humanidades que querem entender como a historiografia funciona antes de consumir mais obras
O que você vai aprender
- Distinguir a definição positivista de história da definição adotada pela Nova História
- Compreender por que a história é uma ciência em movimento, sujeita a revisões documentais
- Diferenciar tempo cronológico e tempo histórico e aplicar essa distinção à leitura de obras
- Identificar o anacronismo como o principal erro de interpretação histórica e como evitá-lo
- Reconhecer as marcas de uma narrativa ideológica disfarçada de historiografia
- Avaliar a confiabilidade de um autor e de uma obra antes de usá-los como referência
- Construir uma cronologia básica de um período como pré-requisito para qualquer estudo histórico
- Estabelecer uma rotina de leitura simultânea e cruzada de fontes sobre o mesmo assunto
- Aplicar os critérios de Burke e Ginzburg para analisar a função da história na vida intelectual
- Montar uma lista básica de leituras — dos clássicos aos historiadores nacionais — para iniciar um percurso sério
Por que isso importa
Boa parte das opiniões que circulam sobre o Brasil — sua história, suas instituições, seus personagens — apoia-se em narrativas que nunca foram confrontadas com documentos. Não porque as pessoas sejam desonestas, mas porque nunca aprenderam a ler história de outra forma: receberam versões prontas na escola, confirmaram-nas em filmes e livros de divulgação, e passaram a repeti-las como fatos.
Este curso não resolve esse problema com uma lista de "verdades alternativas". Resolve-o com método. Quem entende como a historiografia funciona — como as fontes são tratadas, como os períodos são periodizados de forma arbitrária, como o próprio historiador é filho do seu tempo — passa a ler qualquer obra com outros olhos. Essa mudança de postura afeta decisões concretas: o que se ensina aos filhos, como se avalia uma notícia, como se interpreta um debate político. Saber estudar história é, antes de tudo, saber pensar sobre o tempo em que se vive.
Currículo do curso
- Apresenta a definição clássica de história a partir de Heródoto, distingue pré-história de história pela invenção da escrita e introduz a ideia de história como ciência em movimento, usando o caso do Manuscrito de Chinon e os templários.
- Contrasta a filosofia da história com a história enquanto ciência autônoma, discute positivismo, marxismo e Nova História, e apresenta a cronologia como primeiro instrumento prático para qualquer estudo histórico, com o exemplo de Kant e o Iluminismo.
- Define e diferencia tempo cronológico e tempo histórico, explica por que as periodizações são arbitrárias e mostra como as permanências culturais medievais chegaram ao Brasil, usando as Congadas como exemplo concreto.
- Discute por que a história não pode ser reduzida à utilidade imediata, retoma a definição agostiniana de educação como processo lento e doloroso, e apresenta os critérios de Burke para o bom historiador: imaginação, perspicácia e sensibilidade para questões relevantes.
- Examina como lacunas e generalizações apressadas distorcem a história, com os casos de Dom Pedro I e Leopoldina, e analisa a função da história segundo Ginzburg: despertar percepção multicultural, expandir imaginação e evitar o provincialismo intelectual.
- Discute dados sobre engajamento ideológico no professorado brasileiro, propõe estratégias para estudar paralelamente à narrativa dominante e estabelece princípios práticos: aprender fatos antes de ideologias, argumentar só com base em evidências e agir com humildade socrática.
- Apresenta os cinco primeiros passos práticos: leitura constante, esforço interpretativo, processamento cruzado de dados, leitura simultânea de obras antagônicas e atitude socrática diante do próprio conhecimento, com referência ao Adler e ao Hugo de São Vítor.
- Conclui o curso com os passos restantes: lista de clássicos, busca por pessoas com interesses análogos, metas de leitura diária, caderno de anotações, discipulado intelectual, exploração de áreas novas, aprendizado de idiomas, aproveitamento do tempo e análise sistemática de autores e bibliografias antes de escolher uma obra.
Teste seu conhecimento sobre Como Estudar História
Quem é tradicionalmente considerado o "pai da história" por ter sido o primeiro a sistematizar e narrar fatos do passado em uma única obra?
Curiosidades que despertam o interesse
Os arquivos secretos do Vaticano possuem cerca de 80 quilômetros de prateleiras, e a maior parte dos documentos sequer está classificada ainda. Mais de cem arquivistas trabalham fixamente neste que é, hoje, o maior arquivo histórico do mundo.
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- 8 aulas em vídeo, totalizando 6,5h
- Material de apoio e bibliografia indicada pelo professor
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Perguntas frequentes
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