Revolução Francesa
Sobre o curso
A Revolução Francesa é celebrada como o marco fundador das liberdades modernas. Mas o que de fato aconteceu entre 1789 e 1799, da queda da Bastilha ao golpe de Napoleão, é uma história muito mais sombria — e muito mais instrutiva — do que o mito costuma revelar.
Neste curso, o professor Guilherme Almeida percorre os dez anos da Revolução em quatro etapas: os antecedentes estruturais que tornaram a ruptura inevitável, a primeira fase de organização constitucional, o período do Terror jacobino e, por fim, o caótico Diretório que abriu caminho a Bonaparte. Ao longo de cada módulo, o professor articula causas econômicas, disputas de poder entre estamentos, a filosofia iluminista de Rousseau, Voltaire e Montesquieu, e os símbolos que os revolucionários destruíram, subverteram ou reinventaram.
A perspectiva é crítica e historicamente fundamentada: o professor não trata o iluminismo como progresso inevitável, mas como uma ruptura civilizacional com consequências trágicas — o terror, as guerras civis, a perseguição religiosa e a instabilidade que só se encerrou com a centralização napoleônica. O tom é didático, direto e informado por autores como Christopher Dawson, Max Weber e Michelet.
Para quem é este curso
- Estudantes de história, direito ou filosofia que querem ir além do manual escolar
- Leitores que percebem conexões entre a Revolução Francesa e debates políticos contemporâneos
- Professores do ensino médio que desejam apresentar o período com maior profundidade crítica
- Adultos formados que nunca tiveram acesso a uma leitura não hagiográfica da Revolução
- Pessoas interessadas em entender como ideias iluministas moldaram — e deformaram — o Ocidente moderno
O que você vai aprender
- Identificar as cinco causas estruturais que tornaram a Revolução Francesa inevitável
- Distinguir a recepção do iluminismo na América e na França e suas consequências práticas
- Compreender o papel da burguesia, dos sans-culottes e dos estamentos na dinâmica revolucionária
- Analisar o uso político dos símbolos — da Bastilha à guilhotina — ao longo da Revolução
- Explicar a origem histórica das categorias 'esquerda' e 'direita' na Assembleia Legislativa francesa
- Caracterizar o Terror jacobino, seus instrumentos de controle social e seu saldo de mortes
- Relacionar a Constituição Civil do Clero com o projeto iluminista de laicização do Estado
- Avaliar o período do Diretório como tentativa fracassada de estabilização pós-Terror
- Situar Napoleão Bonaparte como resposta ao colapso da governabilidade revolucionária
- Reconhecer a Revolta da Vendéia como episódio frequentemente omitido da historiografia corrente
Por que isso importa
Entender a Revolução Francesa não é exercício de erudição: é aprender a ler o mundo em que vivemos. A divisão política entre esquerda e direita, a laicização do Estado, a ideia de constituição como limite ao poder, o uso do terror em nome da liberdade — tudo isso tem raízes diretas nos dez anos estudados neste curso.
Quando se conhece o que de fato aconteceu na França entre 1789 e 1799 — os massacres de setembro, a guilhotina trabalhando a sessenta mortes por dia, a perseguição ao clero refratário, a subversão sistemática dos símbolos culturais —, torna-se mais difícil aceitar versões simplificadas de qualquer processo político que prometa liberdade, igualdade e fraternidade. O curso não oferece uma tese partidária, mas as ferramentas históricas para que cada pessoa forme o seu próprio juízo.
Currículo do curso
- Apresenta o curso, sua divisão em quatro fases e o impacto negativo da Revolução Francesa na formação do homem ocidental contemporâneo.
- Introduz os cinco pontos causais centrais que o módulo desenvolverá, situando a Revolução como resultado de forças estruturais acumuladas.
- Traça a origem medieval da burguesia, seu papel no mercantilismo, a tensão com a Igreja Católica e o impacto do protestantismo na ética econômica, com referência a Max Weber.
- Examina as bases do pensamento iluminista em Locke, Montesquieu, Voltaire e Rousseau, e o projeto de substituição da autoridade religiosa e monárquica pela razão.
- Contrasta a aplicação do iluminismo na Revolução Americana — lida à luz das Escrituras e da herança republicana romana — com o uso radical que se fará na França.
- Analisa a Guerra dos Sete Anos, o financiamento da independência americana, o luxo da corte de Versalhes, a grande fome de 1787-1788 e a exclusão política do Terceiro Estado.
- Introduz o período de organização inicial da Revolução, situa a decadência da autoridade de Luís XVI e explica a diferença entre revolta e revolução.
- Explica por que a Bastilha foi escolhida como alvo simbólico, analisa o conceito de damnatio memoriae e examina a reação dos outros reinos absolutistas europeus.
- Examina a Declaração de 1789, o voto censitário, a exclusão das mulheres e dos sans-culottes, e a marcha das peixeiras sobre Versalhes como contra-símbolo popular.
- Analisa a Constituição Civil do Clero, o clero juramentado e o refratário, o surgimento dos jacobinos e dos girondinos, e a origem histórica das categorias políticas de esquerda e direita.
- Examina a fuga de Varennes, a Convenção Nacional, o conflito entre jacobinos e girondinos pelo voto e o colapso da monarquia constitucional criada em 1791.
- Introduz a terceira fase — a mais violenta da Revolução —, com as guerras civis, a contrarrevolução estrangeira e a radicalização jacobina sob Robespierre.
- Aborda a Batalha de Valmy, a criação do Ano 1 da República, a Revolta da Vendéia com seus 150 a 300 mil mortos e o massacre da guarda suíça nas Tulherias.
- Descreve os instrumentos de controle jacobino — Comitê de Salvação Pública, Tribunal Revolucionário, guilhotina —, a morte de Luís XVI em janeiro de 1793 e o funcionamento do terror cotidiano.
- Examina a subversão do calendário, dos nomes de ruas, dos jogos e das igrejas, o culto ao Ser Supremo da Razão encenado por Robespierre e a morte de Marat pintada por Jacques-Louis David.
- Narra a execução de Maria Antonieta, o isolamento de Robespierre, a aliança entre jacobinos dissidentes e girondinos, e o golpe que encerrou o governo do Terror.
- Apresenta o governo do Diretório, a reação realista, o terror branco, a Conspiração dos Iguais de Graco Babeuf e a ascensão militar de Napoleão Bonaparte.
- Analisa o golpe de Napoleão, a criação do Consulado com referência à República Romana, e o encerramento de dez anos de conturbação com a figura do Primeiro Cônsul.
Teste seu conhecimento sobre Revolução Francesa
A Revolução Francesa é frequentemente chamada de "a mãe das revoluções burguesas". O que justifica essa expressão?
Curiosidades que despertam o interesse
Os reis absolutistas, ao criarem o mercantilismo e entregarem sua execução à burguesia, criaram a própria classe que viria a derrubá-los. Toda nova estrutura social, dizia Marx, carrega o germe da sua destruição.
Comece agora
Curso Avulso
Acesso completo a este curso
- Acesso ao curso completo por 1 ano
- 18 aulas em vídeo, totalizando 4,5h
- Material de apoio e bibliografia indicada
- Certificado digital de conclusão
- Todos os cursos listados acima, com acesso por 1 ano
- Material de apoio e certificado de todos os cursos
Cursos inclusos
Garantia incondicional de 7 dias
Se você não gostar, basta escrever para suporte@tutoracursos.com.br que devolvemos seu investimento integralmente.
Perguntas frequentes
Cursos relacionados
História e Política Os Francos e o Nascimento da Cristandade
professor-slug
Como um povo bárbaro pagão se tornou a base política da Europa cristã medieval.
História e Política Gregos: o Fundamento do Ocidente
guilherme-almeida
Uma introdução à civilização grega como matriz do pensamento, da política e da cultura ocidentais.
História e Política Roma
professor-tbd
Da loba capitolina ao édito de Milão: a civilização que moldou o Ocidente e o cristianismo.
História e Política Império Bizantino
guilherme-almeida
Uma introdução clara ao Império Romano do Oriente, seu auge sob Justiniano e seu legado para o cristianismo.