História do Direito Romano
Sobre o curso
O direito romano durou mais de doze séculos — e, de certa forma, ainda não terminou. Quem estuda contratos, propriedade, responsabilidade civil ou processo judicial no Brasil está, queira ou não, dentro de uma tradição que começou numa cidade da Península Itálica, evoluiu por épocas de república, império e declínio, foi compilada no Oriente por um imperador conservador e chegou até nós por rotas oblíquas: leis visigodas, ordenações portuguesas, pandectistas alemães.
Erick Gramstrup, professor da PUC-SP e magistrado com longa experiência na aplicação do direito civil, conduz este curso pela chamada história externa do direito romano — os períodos de evolução, as fontes de produção, o processo civil — sem deixar de lado os exemplos concretos que tornam o estudo inteligível. Ele não esconde as ironias: os principais documentos do direito romano foram redigidos no Oriente, não em Roma; o período considerado de decadência foi o que nos deixou mais fontes; e o formalismo primitivo que nos parece bárbaro era, à sua época, uma tentativa de conter a arbitrariedade.
A abordagem é rigorosa sem ser árida, histórica sem ser antiquária. Você compreenderá por que o estudo do direito romano funciona como câmera lenta para observar algo que os sistemas jurídicos contemporâneos fazem depressa demais para ser bem visto: evoluir.
Para quem é este curso
- Estudantes e profissionais do direito que querem fundamentar sua formação em perspectiva histórica
- Advogados e juízes curiosos sobre a origem dos institutos que aplicam cotidianamente
- Pessoas de formação humanística interessadas em como o direito se constrói e se transmite ao longo dos séculos
- Professores de direito que desejam contextualizar historicamente suas disciplinas de direito privado
O que você vai aprender
- Distinguir história externa e história interna do direito romano e compreender o alcance de cada abordagem
- Identificar as fontes documentais do direito romano e avaliar criticamente seu grau de autenticidade
- Periodizar a evolução do direito romano — pré-clássico, clássico e pós-clássico — e relacionar cada fase às transformações políticas de Roma
- Compreender o papel do Corpus Iuris Civilis de Justiniano e as razões pelas quais ele se tornou o principal veículo do direito romano até hoje
- Explicar o funcionamento do ius honorarium e da atividade pretoriana como mecanismo de evolução jurídica indireta
- Reconhecer as interpolações de Triboniano e os métodos empregados para identificá-las
- Descrever o processo civil romano nos três períodos — legis actiones, período formulário e cognitio extraordinaria — e apontar o que cada um legou ao processo contemporâneo
- Analisar a estrutura da fórmula pretoriana e suas partes constitutivas, com exemplos concretos
- Traçar o percurso do direito romano da Antiguidade Tardia à Europa medieval e daí ao direito luso-brasileiro
- Aplicar o princípio da boa-fé e a distinção entre ações in rem e ações in personam como conceitos de longa duração na história jurídica ocidental
Por que isso importa
Nenhum jurista brasileiro pratica seu ofício sem usar institutos que têm nome latino e origem romana — da actio à exceptio, da posse à fidúcia, da boa-fé objetiva à responsabilidade aquiliana. O problema não é a influência do direito romano: é que ela costuma ser invisível. Quem ignora essa história aplica o direito como quem usa uma ferramenta sem saber como ela foi fabricada — e, portanto, sem saber quando ela pode falhar.
Este curso oferece algo diferente: a visão do processo completo. Você verá como um direito primitivo e ritualístico se transformou, por estratégias oblíquas, num sistema sofisticado de ações e fórmulas; como esse sistema foi compilado, deturpado, resumido e transmitido através de séculos de crise; e como chegou ao Código Civil brasileiro pelas mãos de ordenações portuguesas e pandectistas alemães. Entender esse percurso não é curiosidade erudita — é saber de onde vêm as categorias com que você pensa o direito todos os dias.
Currículo do curso
- Apresenta os conceitos de história externa e história interna do direito romano, justifica o recorte temporal do curso (século VIII a.C. ao século VI) e explica por que o estudo do direito romano funciona como observação em câmera lenta da evolução jurídica.
- Examina os principais documentos que permitem conhecer o direito romano: o Corpus Iuris Civilis, as Institutas de Gaio, as Regras de Ulpiano e as Sentenças de Paulo, incluindo a história do palimpsesto de Verona e dos papiros egípcios.
- Estabelece a periodização do direito romano, correlaciona cada fase às etapas políticas de Roma (monarquia, república, principado, dominato) e caracteriza o ius civile primitivo, o formalismo ritualístico e a vingança privada como traços do período pré-clássico.
- Analisa o contexto político do conflito entre patrícios e plebe, o significado da Lei das Doze Tábuas como sistematização do direito costumeiro, o início da separação entre ius e fas, e o surgimento dos primeiros juristas leigos.
- Descreve a transformação do direito pela atividade pretoriana, a formação do ius honorarium por meio dos editos, o ius respondendi ex autoritate principis e a atuação de juristas como Salvio Giuliano, Papiniano, Paulo, Ulpiano e Modestino.
- Examina as compilações de leges e iura do período pós-clássico — Código Teodosiano, leis romano-bárbaras — e detalha a composição do Corpus Iuris Civilis: Codex, Digesto, Institutas de Justiniano e Novelas.
- Explica por que Triboniano introduziu modificações no material clássico ao compilar o Digesto, apresenta os métodos filológico, lógico, de anacronismo e textual para identificar interpolações, e discute os limites da caça às interpolações.
- Percorre sistematicamente as fontes de produção do direito romano — costume, leis comiciais, plebiscitos, senato-consultos e as quatro modalidades de constituições imperiais (edicta, decreta, rescripta, mandata) — relacionando cada uma ao seu período histórico.
- Introduz a distinção entre sistema de ações e sistema de direitos subjetivos, descreve as cinco legis actiones e explica em detalhe a estrutura da fórmula pretoriana — nominatio iudicis, demonstratio, intentio, exceptio, praescriptio, condemnatio e adiudicatio — com exemplos de ações fictícias, úteis e bonae fidei.
- Apresenta as classificações das ações romanas (in rem e in personam, fictícias, in factum conceptae, úteis, bonae fidei e stricti iuris), os remédios pretorianos alternativos à fórmula (interdicta, missio in possessionem, restitutio in integrum) e a litis contestatio como contrato processual.
- Descreve o terceiro período do processo civil romano, a burocratização imperial e o surgimento do recurso; traça o percurso do direito romano pela Idade Média ocidental, pelo Studium de Bolonha, pelas ordenações portuguesas, pela Lei da Boa Razão de Pombal e pela influência sobre o Código Civil brasileiro de 1916 e de 2002.
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