Dante e a Literatura
Sobre o curso
Dante Alighieri não é apenas o maior poeta da tradição italiana: é um ponto de confluência entre mundos que raramente se encontram com tanta harmonia. Neste curso, Marcos Boeira conduz você por toda a extensão da obra dantesca — das rimas juvenis e da Vita Nova ao De vulgari eloquentia e ao Convívio, até a arquitetura monumental da Divina Comédia — mostrando como cada uma dessas obras responde a tensões filosóficas, políticas e literárias muito concretas.
A perspectiva adotada é ao mesmo tempo histórica e filosófica. O curso parte da encruzilhada cultural em que Dante se encontrava — entre a teologia escolástica de Alberto Magno e Tomás de Aquino, o aristotelismo radical de Guido Cavalcanti e a poética do Dolce Stil Novo — para entender o que de singular ele construiu ao articular essas correntes em uma obra que não se encaixa em nenhum gênero literário anterior.
A análise da Divina Comédia ocupa o centro do curso. Você percorrerá os nove círculos do Inferno, do Purgatório e do Paraíso à luz da ética aristotélica, da teologia escolástica e da tradição mitopoética greco-latina, com atenção especial a personagens como Francesca da Rimini, Farinata degli Uberti, Pierre de la Vigne e São Tomás de Aquino. A última aula propõe uma leitura contemporânea: de que modo os vícios e virtudes que Dante retratou no século XIV iluminam as formas de vida do nosso tempo.
Para quem é este curso
- Leitores da Divina Comédia que querem compreender o que subjaz à obra além da narrativa
- Estudantes de filosofia medieval interessados nos debates entre escolástica e aristotelismo radical
- Professores de literatura e humanidades que buscam fundamentos para trabalhar Dante em sala
- Pessoas formadas em qualquer área que queiram uma introdução séria à tradição literária ocidental
- Leitores que percebem na literatura clássica um instrumento de compreensão do tempo presente
O que você vai aprender
- Situar Dante na encruzilhada entre escolástica, Dolce Stil Novo e aristotelismo radical
- Distinguir os conceitos de nobreza, amor, beleza e gentileza na poética do Dolce Stil Novo e na poética escolástica
- Identificar as influências de Virgílio, Guinizelli e Cavalcanti na obra dantesca
- Compreender a cronologia e os gêneros literários da opera omnia de Dante, das rimas ao De vulgari eloquentia
- Analisar a estrutura métrica da Divina Comédia e o uso da tercina encadeada como recurso narrativo
- Percorrer os quatro níveis de interpretação da Comédia: histórico-literal, alegórico, tropológico e anagógico
- Descrever os nove círculos do Inferno e relacioná-los à ética das virtudes de Aristóteles
- Interpretar as figuras alegóricas centrais da obra — Virgílio, Beatriz, as três feras — em seus sentidos filosóficos e teológicos
- Reconhecer os graus da humildade e da soberba, segundo São Bernardo, como chave de leitura do Paraíso
- Aplicar categorias dantescas — incontinência, malícia, traição — à análise crítica do tempo presente
Por que isso importa
Ler Dante com atenção é uma das formas mais eficazes de escapar da amnésia cultural que caracteriza o tempo presente. A Divina Comédia não é um monumento a ser admirado de longe: é uma obra que diagnostica com precisão cirúrgica as deformações do caráter humano — a luxúria, a soberba, a avareza, a traição — e propõe, em contrapartida, um itinerário de autoconhecimento.
Quem se depara com as questões que Dante coloca — qual é o preço de uma vida dominada pelos apetites? o que significa perseguir o bem segundo a razão? como a fé e a razão se articulam sem se destruir? — percebe rapidamente que essas não são perguntas medievais. São perguntas de qualquer pessoa que toma a sério a própria existência. Este curso oferece as ferramentas filosóficas e literárias para fazer essa leitura com rigor, sem reduzir Dante a alegoria decorativa nem a curiosidade histórica.
Currículo do curso
- Apresenta a vida política de Dante em Florença, a disputa entre Guelfos Brancos e Negros, o exílio e a encruzilhada cultural entre escolástica, Dolce Stil Novo e aristotelismo radical.
- Analisa o aristotelismo radical de Cavalcanti e da Escola de Pádua, contrasta os conceitos de nobreza, amor, beleza e gentileza entre a poética escolástica e o Dolce Stil Novo, com leitura do poema de Guinizelli.
- Apresenta cronologicamente a produção dantesca, distingue os quatro tipos de rimas — Dona Gentile, pargolette, lírica doutrinal e canzoni pietrose — e examina seus cinco elementos retórico-estilísticos centrais.
- Examina o tratado em latim no qual Dante defende a estatura científica e poética do italiano, expondo a hierarquia dos estilos, os três tipos de argumentos admitidos na poética e as características do vulgar ilustre.
- Analisa o Convívio como obra filosófica que articula a antropologia aristotélica, o desejo natural pelo saber e a progressiva transfiguração da Dona Gentile em figura alegórica da filosofia e da teologia.
- Apresenta a estrutura tripartida da Comédia, a métrica da tercina encadeada, os quatro níveis de interpretação — histórico, alegórico, tropológico e anagógico — e o significado das três feras do Canto I.
- Percorre os nove círculos do Inferno, relacionando cada um à distinção aristotélica entre incontinência, malícia e bestialidade, com atenção às figuras de Caronte, Minos, Pluto, Medusa e Lúcifer.
- Analisa em detalhe os cantos V, X, XI e XIII, examinando o amor adúltero de Francesca e Paolo, a soberba de Farinata, a heresia do Papa Anastásio e o suicídio de Pierre de la Vigne.
- Apresenta o Monte do Purgatório com seus sete P's e os nove círculos do Paraíso — da Lua ao Empíreo — com destaque para São Tomás, São Boaventura, Justiniano, São Bernardo e a súplica à Virgem no Canto XXXIII.
- Propõe uma leitura contemporânea da Comédia, relacionando os pecados dantescos ao niilismo, à sociedade do espetáculo, à necropolítica e ao problema do homem vazio, com referências a Arendt, Agamben, Lukács e Ortega y Gasset.
Teste seu conhecimento sobre Dante e a Literatura
Em qual cidade italiana Dante Alighieri nasceu e viveu sua intensa vida política antes do exílio?
Curiosidades que despertam o interesse
Dante nunca chamou sua obra de 'Divina Comédia'. O adjetivo 'divina' foi acrescentado por Giovanni Boccaccio, um de seus primeiros discípulos e leitores, décadas após a morte do poeta.
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Perguntas frequentes
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