Teatro Grego: Introdução à Tragédia
Sobre o curso
A tragédia grega não é uma curiosidade arqueológica. É o lugar onde o pensamento ocidental aprendeu a formular suas perguntas mais urgentes: por que os inocentes sofrem? Existe alguma ordem no cosmos? O que separa a coragem da insensatez? Ésquilo, Sófocles e Eurípides não eram apenas poetas — eram interlocutores dos filósofos de seu tempo, e as respostas que propuseram nas obras ainda reverberam em Shakespeare, Racine, Ibsen e no teatro contemporâneo.
Este curso parte das origens rituais da tragédia ática e percorre, com cuidado filológico e sensibilidade filosófica, as obras mais significativas dos três grandes tragediógrafos do século V a.C. O professor Mauro de Medeiros Keller — jurista formado na USP, com especialização em filosofia do direito e décadas de estudo autônomo da filosofia clássica — conduz a exposição sem simplificações, mas também sem erudição gratuita: o objetivo é sempre a leitura.
Você não sairá deste curso sabendo "sobre" as tragédias gregas. Sairá equipado para lê-las, com vocabulário conceitual preciso — hybris, hamartia, anagnórisis, catarse, díke — e com uma compreensão viva das diferenças de cosmovisão entre os três autores. O curso é, acima de tudo, um convite à experiência direta dos textos.
Para quem é este curso
- Leitores com gosto pela literatura clássica que nunca leram uma tragédia grega completa
- Estudantes de filosofia, direito ou letras que querem contextualizar a origem de conceitos como catarse e díke
- Pessoas que assistiram adaptações modernas — cinema, teatro, ópera — e querem retornar às fontes
- Quem já leu Homero e deseja avançar para o próximo patamar da literatura helênica
O que você vai aprender
- Compreender a origem ritual da tragédia grega e sua relação com o culto dionisíaco
- Distinguir as cosmovisões filosóficas de Ésquilo, Sófocles e Eurípides
- Identificar os elementos estruturais de uma tragédia: prólogo, coro, episódios, êxodo
- Analisar os conceitos de hybris, hamartia, týche e díke nas obras estudadas
- Interpretar a função do coro como voz do autor e da consciência coletiva
- Reconhecer o efeito de catarse segundo Aristóteles e aplicá-lo à leitura dos textos
- Traçar a influência do teatro euripidiano em Shakespeare, Racine, Ibsen e no teatro contemporâneo
- Ler com autonomia edições comentadas das tragédias, a partir das traduções recomendadas
Por que isso importa
A tragédia grega foi criada como instrumento de formação cívica. Os atenienses iam ao teatro não para se entreter, mas para ser melhores cidadãos — e os próprios governantes financiavam os concursos com essa convicção. Essa função formativa não desapareceu com Atenas.
Cada vez que você precisa decidir entre o que é legal e o que é justo, entre a lealdade à instituição e a lealdade à consciência, está no terreno de Antígona. Cada vez que a paixão age contra o julgamento claro, você está no território de Medéia. Conhecer essas obras não é acrescentar referências culturais ao repertório — é ter à disposição modelos de análise para dilemas que continuam sendo os seus.
Currículo do curso
- Contextualiza os objetivos do curso, justifica a relevância da leitura direta dos textos e apresenta as origens rituais dionisíacas da tragédia ática, incluindo a etimologia de 'tragédia' e o papel pedagógico do teatro na democracia ateniense.
- Examina as definições de 'elemento trágico' de Aristóteles a Goethe, apresenta os conceitos de metabolé, týche, hybris e hamartia, e descreve a estrutura formal da tragédia grega — prólogo, párodo, episódios, estásimos, êxodo — com os recursos do ágon, anagnórisis e peripécia.
- Introduz Ésquilo como combatente em Maratona e dramaturgo, apresenta a trilogia Orestíada e analisa Agamêmnon, concentrando-se na maldição dos Atridas, no sacrifício de Ifigênia e na ideia de que o sofrimento pode ser lição.
- Analisa o matricídio de Orestes nas Coéforas, incluindo a cena de anagnórisis com Electra e o ágon entre mãe e filho, e na tragédia Eumênides examina o julgamento no Areópago como símbolo da emancipação do indivíduo frente ao direito dos clãs.
- Traça as linhas gerais do teatro sofocliano — distância radical entre deuses e homens, equilíbrio da díke, delineamento psicológico dos personagens e lirismo poético — e apresenta brevemente Ajax e Filoctetes como exemplos do herói que sustenta o peso do destino.
- Analisa em detalhe Édipo Rei, da maldição dos Labdácidas à investigação conduzida pelo próprio culpado, examinando a ironia sofocliana, o papel de Tirésias e a distinção entre culpa objetiva e voluntariedade na Grécia Arcaica.
- Examina a última obra de Sófocles, discutindo o Édipo ancião e cego como herói que aceita as ciladas do destino, a noção grega de desculpa versus perdão cristão, e a morte transfigurada como resposta enigmática dos deuses à dignidade humana.
- Analisa o conflito entre Antígona e Creonte como confronto entre lei divina não escrita e decreto estatal, discute a hybris de Creonte, a posição de Hegel sobre a irresolvibilidade do conflito, e encerra com o elogio sofocliano à phrónesis como virtude suprema do agir.
- Apresenta a vida e a polêmica recepção de Eurípides em seu tempo, percorre o conjunto das obras preservadas destacando o papel da týche, a dessacralização dos deuses olímpicos e as três características centrais do teatro euripidiano segundo Jacqueline de Romilly: psicologia aprofundada, reviravoltas bruscas e teatro de ideias.
- Analisa Medéia em detalhe, percorrendo o prólogo da ama, o discurso feminista de Medéia, os diálogos com Jasão e Creonte, as seis hesitações antes do filicídio e o desfecho no carro voador, com paralelo ao filme Match Point de Woody Allen para discutir týche e niilismo.
- Examina Hipólito — o prólogo de Afrodite, o drama de Fedra entre paixão e honra, o ágon entre pai e filho, e o diálogo final de reconciliação — e apresenta Ifigênia em Áulis como peça em que o acaso, encarnado em desencontros sucessivos de vontades, determina o sacrifício da jovem.
- Analisa As Bacantes como a obra mais desconcertante de Eurípides: o fervor religioso dos estásimos em contraste com o Dioniso cruel e vingativo, a desilusão final de Ágave e a conclusão de André Bonnard sobre a 'espera de um deus ignorado', encerrando o curso com uma síntese da herança grega para a formação humana.
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- 12 aulas em vídeo, totalizando 15h de conteúdo
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Perguntas frequentes
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