Literaturas de Língua Portuguesa para a FUVEST
Sobre o curso
Da lira amorosa de Tomás Antônio Gonzaga ao conto moçambicano de Luís Bernardo Honwana, este curso percorre as obras de língua portuguesa exigidas pela FUVEST em ordem cronológica e com atenção ao que cada texto tem de singular. Não se trata de um roteiro de resumos, mas de uma leitura comentada: o professor lê trechos em voz alta, analisa escolhas formais e conecta cada obra ao seu momento histórico e estético.
Fábio Lanin conduz as aulas com um perfil editorial e comparatista — relaciona o humanitismo de Machado de Assis ao pessimismo de Schopenhauer, aproxima a memória em Guimarães Rosa do pensamento de Santo Agostinho, cruza o nacionalismo do Mensagem pessoano com as vanguardas europeias do século XX. A perspectiva é sempre a da formação literária, não apenas da preparação para prova.
O curso cobre obras do arcadismo ao pós-modernismo, passando pelo realismo, o modernismo brasileiro, o neorrealismo e a literatura de língua portuguesa produzida fora do Brasil. Cada obra recebe entre duas e três aulas, com panorama histórico-biográfico, análise de poemas ou capítulos selecionados e discussão dos temas centrais.
Voltado tanto para vestibulandos quanto para professores e leitores que desejam revisitar essas obras com mais profundidade, o curso assume que literatura se aprende lendo — e que ler bem demanda contexto, comparação e tempo.
Para quem é este curso
- Vestibulandos que precisam dominar as obras de língua portuguesa da lista da FUVEST
- Professores do ensino médio que querem aprofundar o repertório analítico para essas obras
- Pais que acompanham a preparação dos filhos e desejam entender o que está sendo estudado
- Leitores que conhecem os títulos mas nunca os leram com atenção crítica e histórica
O que você vai aprender
- Situar cada obra em sua escola literária e compreender por que essa localização importa para a leitura
- Analisar poemas do arcadismo identificando o carpe diem, a idealização da natureza e o amor erótico em Gonzaga
- Reconhecer a ironia machadiana e a função do humanitismo como eixo filosófico de Quincas Borba
- Identificar os heterônimos de Fernando Pessoa e interpretar a estrutura tripartite do Mensagem
- Distinguir o gauche drummondinano como postura poética e ler seus poemas como metalinguagem e crítica social
- Compreender a diferença entre realismo socialista, neorrealismo e literatura engajada a partir de Graciliano Ramos
- Interpretar o Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles conectando suas referências medievais, barrocas e simbolistas
- Analisar Campo Geral de Guimarães Rosa a partir da oralidade, da memória agostiniana e da dualidade bem-mal
- Ler Dois Irmãos de Milton Hatoum como retrato da decadência familiar e das relações de poder na sociedade manauara
- Compreender a estrutura colonial em Nós Matamos o Cão Tinhoso e a crítica à reprodução do poder pelos colonizados
Por que isso importa
Ler literatura de vestibular apenas para passar na prova é desperdiçar o que esses textos têm a oferecer. Gonzaga, Machado, Drummond, Cecília Meireles, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Fernando Pessoa, Milton Hatoum e Honwana formam um conjunto que permite entender como a língua portuguesa foi usada para nomear o amor, a injustiça, a memória, o poder colonial e a identidade — em diferentes séculos e continentes.
Quem passa por essas obras com um guia atento desenvolve a capacidade de ler textos complexos sem ansiedade, de identificar o argumento de um poema longo sem perder o fio, e de perceber como escolhas formais — um verso livre, uma metáfora desgastada citada com ironia, um nome de personagem — carregam significado. Essa habilidade analítica serve à prova, mas também à vida adulta de quem precisa ler com precisão e escrever com clareza.
Currículo do curso
- Apresenta a vida de Gonzaga, o contexto da Inconfidência Mineira e os fundamentos estéticos do arcadismo, incluindo o iluminismo, Rousseau e o ideal do bom selvagem.
- Analisa liras selecionadas da primeira parte do poema, mostrando como Gonzaga relaciona o amor erótico à natureza e ao carpe diem, com referências à mitologia clássica.
- Examina a transformação do amor idílico em projeto conjugal burguês e as liras das partes segunda e terceira, escritas durante a prisão e o exílio em Moçambique.
- Contextualiza o realismo machadiano frente a Zola, Flaubert e Eça de Queirós, traça a trajetória de Machado e resume o enredo de Quincas Borba.
- Analisa o humanitismo como paródia do determinismo e do darwinismo social, e examina cenas do romance para mostrar como a elite carioca explora Rubião.
- Estuda o triângulo entre Rubião, Sofia e Cristiano Palha, com leitura de cenas centrais de sedução e análise do processo de ruína financeira e psíquica do protagonista.
- Apresenta a vida de Pessoa, o fenômeno da heteronímia e a divisão tripartite do Mensagem em O Brasão, Mar Português e O Encoberto.
- Analisa poemas das duas primeiras partes, incluindo A Europa, Ulisses, D. Henrique e D. Sebastião, mostrando como Pessoa reescreve a história portuguesa em chave mítica.
- Examina a terceira parte do Mensagem, com atenção às vozes proféticas do Bandarra, Antônio Vieira e do próprio Pessoa, e ao poema de encerramento Nevoeiro.
- Situa Drummond na geração de 30, no modernismo brasileiro e no turbulento cenário político dos anos 30, com exemplos iniciais de sua dicção poética.
- Analisa o Poema de Sete Faces como guia poético do livro, além de Também já fui brasileiro e Política Literária, poemas que criticam o nacionalismo ufanista e o poeta oficial.
- Lê o poema Europa, França e Bahia como crítica ao cosmopolitismo alienado, e examina Sentimental e outros poemas de viés político e social.
- Apresenta Graciliano Ramos, distingue neorrealismo de realismo socialista e inicia a análise do romance pela voz perturbada de Luís da Silva e sua visão de classe.
- Examina a cena da livraria e outros trechos para mostrar como Graciliano aplica os conceitos de valor de uso e valor de troca à vida social alagoana.
- Analisa o triângulo entre Luís da Silva, Marina e Julião Tavares, a cena do enforcamento e a hipótese, formulada por Massaud Moisés, de que todo o romance é um delírio.
- Situa Cecília Meireles na geração de 30 e no neossimbolismo, e explica como o Romanceiro reúne referências medievais, renascentistas, barrocas, simbolistas e modernas.
- Analisa os dois primeiros poemas do livro e o Romance 53 (Das Palavras Aéreas), mostrando como Cecília tematiza a potência criadora e destruidora da linguagem.
- Examina os poemas centrados em Marília de Dirceu como voz silenciada em Gonzaga, e conecta a escrita de Cecília ao contexto político e cultural do Brasil de 1953.
- Apresenta o estilo de Guimarães Rosa, a fusão entre erudito e popular, e inicia a leitura de Campo Geral localizando o narrador, o espaço do Mutum e o tempo histórico.
- Analisa as memórias de Miguilim à luz dos quatro níveis de memória de Santo Agostinho, mostrando como a narrativa cresce à medida que a percepção do protagonista amadurece.
- Examina os diálogos entre Miguilim e o Dito sobre pecado, morte e bondade, a cena da morte do irmão e a revelação final dos óculos como conquista da consciência de si.
- Discute como ler literatura sem o apoio de escolas literárias fixas, usando Umberto Eco, e apresenta os personagens, o espaço de Manaus e os ecos bíblicos e machadianos do romance.
- Analisa a oposição entre os dois irmãos desde a infância, a cena do baile de carnaval com Lívia e o episódio da garrafa que marca o rosto de Yaqub e define toda a narrativa.
- Examina os papéis sociais de Domingas, Nael e Rânia pela geografia dos espaços domésticos, e conecta a decadência da família ao processo de internacionalização de Manaus.
- Apresenta Honwana e o contexto moçambicano sob o salazarismo, discute a diferença entre literatura engajada e panfletária, e analisa a hierarquia social dos personagens do conto-título.
- Examina a obediência à vontade do administrador à luz do conceito de banalidade do mal de Hannah Arendt, e analisa o conto Dina como estudo de micropoder e humilhação.
- Analisa o conto As Mãos dos Pretos como síntese da crítica à mentalidade colonizada, e conclui o curso com reflexão sobre descolonização literária e igualdade humana.
Comece agora
Curso Avulso
Acesso completo a este curso
- Acesso ao curso completo por 1 ano
- 27 aulas em vídeo, totalizando 18h
- Material de apoio e bibliografia indicada
- Certificado digital de conclusão
- Todos os cursos listados acima, com acesso por 1 ano
- Material de apoio e certificado de todos os cursos
Cursos inclusos
Garantia incondicional de 7 dias
Se você não gostar, basta escrever para suporte@tutoracursos.com.br que devolvemos seu investimento integralmente.
Perguntas frequentes
Cursos relacionados
Literatura e Cultura Músicas, Contos e Lendas de Natal
sem-professor-definido
As músicas e os contos de Natal como janela para a alma dos povos cristãos.
Literatura e Cultura As Grandes Epopeias da Antiguidade Clássica
mauro-de-medeiros-quero
Um percurso pelos poemas fundadores do Ocidente: Ilíada, Odisseia e Eneida.
Literatura e Cultura Dante e a Literatura
marcos-boeira
Uma travessia pela obra de Dante Alighieri, do Dolce Stil Novo à Divina Comédia.
Literatura e Cultura Teatro Grego: Introdução à Tragédia
mauro-de-medeiros-keller
Um guia intelectualmente rigoroso pelas tragédias que moldaram a consciência ocidental.