Filosofia da Educação
Sobre o curso
A escola contemporânea produz jovens que dominam fragmentos de conhecimento, mas não sabem como habitá-los. Fábio Florenci — doutor em Filosofia com tese dedicada ao tema — parte deste diagnóstico para conduzir uma investigação séria sobre o que a educação é, o que ela pode e o que ela deixou de ser.
O curso percorre a história do pensamento educacional desde a Grécia Antiga — a paideia, o debate entre Platão e Isócrates, a vida contemplativa como ideal formativo — até a crise moderna, passando pelo equilíbrio tomista entre fé e razão, pelo sistema jesuíta, pelo iluminismo, pela Revolução Industrial e pelo positivismo de Comte. Cada etapa é tratada não como curiosidade historiográfica, mas como chave para entender por que chegamos onde chegamos.
A perspectiva de Florenci é aristotélico-tomista: a educação só cumpre sua função quando oferece ao educando instrumentos para se orientar pela inteligência na realidade como um todo, e não apenas em um setor técnico dela. Sem esse horizonte, o que resta é tédio — e o tédio, como mostra Eric Weil, tem consequências que vão muito além da sala de aula.
O tom é filosófico e histórico, sem concessões ao jargão pedagógico contemporâneo. Quem busca receitas práticas imediatas encontrará algo mais valioso: uma compreensão das causas do problema e dos princípios a partir dos quais soluções concretas se tornam possíveis.
Para quem é este curso
- Educadores que sentem que algo estrutural está errado no sistema de ensino e querem entender por quê.
- Pais que querem fundamentar suas escolhas educacionais em algo mais sólido do que modismos pedagógicos.
- Estudantes de filosofia, pedagogia ou história que buscam uma visão integrada da tradição educacional ocidental.
- Leitores de filosofia clássica que desejam compreender como Platão, Aristóteles e Tomás de Aquino pensaram a formação humana.
- Profissionais da educação insatisfeitos com a fragmentação do currículo e com o esvaziamento das humanidades.
O que você vai aprender
- Identificar as causas filosóficas e históricas da crise do sistema de ensino contemporâneo.
- Distinguir o ideal grego de paideia das formas modernas de instrução técnica.
- Compreender o debate entre educação filosófica e educação retórica em Platão e Isócrates.
- Explicar o papel da vida contemplativa na tradição educacional grega e cristã.
- Analisar a síntese tomista entre fé e razão como modelo para um sistema de ensino cristão coerente.
- Reconhecer a influência do sistema jesuíta na formação da educação ocidental até o século XX.
- Rastrear como a Revolução Industrial e o positivismo redefiniram os fins da educação.
- Avaliar criticamente a noção iluminista de progresso e suas consequências pedagógicas.
- Articular a relação entre relativismo, democracia liberal e a dificuldade de formar para a virtude.
- Identificar princípios concretos — como o papel das humanidades e da metafísica — para repensar a educação.
Por que isso importa
Toda pessoa que educa — como pai, professor ou simplesmente como cidadão que vota e opina — age a partir de uma concepção implícita do que o ser humano é e para que ele existe. Quando essa concepção não foi examinada, ela costuma ser um empréstimo não reconhecido de ideias que circulam no ambiente cultural: o otimismo pedagógico iluminista, o utilitarismo técnico da Revolução Industrial, o sentimentalismo de Rousseau.
Entender de onde vêm essas ideias não é exercício de erudição. É uma forma de recuperar a capacidade de julgar. Quem compreende por que o currículo moderno é fragmentado, por que a "educação para a cidadania" costuma ser vaga e por que o tédio e a violência crescem mesmo onde as necessidades materiais estão satisfeitas, está em posição muito melhor para fazer escolhas educacionais com consequências reais — para seus filhos, para seus alunos, para a comunidade em que vive.
Currículo do curso
- Apresenta a justificativa do curso a partir da conferência de Eric Weil sobre educação como problema do nosso tempo, identificando o déficit de sentido como causa da violência entre jovens bem formados materialmente.
- Examina o surgimento do ideal de cultura como formação para a excelência humana, exclusivo da Grécia, contrastando a educação de escribas do Egito e Mesopotâmia com a ética guerreira dos povos nômades.
- Analisa como a democracia ateniense tornou insuficiente o modelo aristocrático de formação, gerando duas respostas: a solução conservadora de Ânito e a proposta dos sofistas como professores remunerados de virtude cívica.
- Descreve o surgimento da vida contemplativa como ideal grego original, sua combinação com a visão órfica dentro da seita pitagórica e a influência decisiva de Pitágoras sobre Platão e a fundação da Academia.
- Apresenta A República como a mais importante obra de filosofia da educação já escrita, explorando os personagens de Trasímaco, Céfalo, Glauco e Adimanto como tipos humanos constantes e a meta da formação para a contemplação.
- Detalha o percurso educacional proposto na República — da ginástica e da música à matemática e à dialética ascendente e descendente —, explicando por que a dialética é o ponto máximo a que a formação pode aspirar.
- Situa Isócrates como pai do humanismo ocidental, examinando sua crítica a Platão, seu ideal de formação para a opinião prudente e a contraposição entre educação filosófica e educação retórica como tensão permanente na história.
- Examina o impacto do ideal cristão de santidade sobre a tradição educacional greco-romana, analisando as posições extremas de Tertuliano e dos entusiastas da educação clássica como Clemente de Alexandria.
- Mostra como a filosofia tomista estabelece o equilíbrio clássico entre fé e razão, define a função da teologia como ciência e serve de modelo para um sistema de ensino cristão que integra contemplação e revelação.
- Descreve como a Peste Negra, o Cisma do Ocidente e o Renascimento italiano fragilizaram a síntese medieval, promovendo uma educação retórica viciada pelo formalismo e um florescimento paradoxal do ocultismo.
- Examina a Ratio Studiorum jesuíta como combinação de retórica humanista e filosofia tomista, o ataque jansenista à sua moralidade e a formação dos principais iluministas — incluindo Voltaire — nas escolas da Companhia.
- Analisa como a noção iluminista de progresso transforma a visão cristã de injustiça social, redefine a natureza humana como aperfeiçoável e abre caminho para a especialização científica que fragmenta o currículo escolar.
- Mostra como as exigências da Revolução Industrial e as reformas positivistas de Comte impuseram ao sistema de ensino uma fragmentação crescente que impede o educando de formar uma imagem coerente da realidade.
- Discute o paradoxo da democracia moderna: ela exige cidadãos formados para a virtude, mas a liberdade negativa de Rousseau — fundada no sentimento, não na razão — torna essa formação sistematicamente impossível.
- Retoma o diagnóstico de Weil à luz de todo o percurso histórico, propõe a reintrodução das humanidades clássicas e da metafísica no centro da formação e aponta o relativismo universitário como obstáculo a ser enfrentado.
Comece agora
Curso Avulso
Acesso completo a este curso
- Acesso ao curso completo por 1 ano
- 15 aulas em vídeo, totalizando 6h
- Material de apoio e bibliografia indicada
- Certificado digital de conclusão
- Todos os cursos listados acima, com acesso por 1 ano
- Material de apoio e certificado de todos os cursos
- Material de apoio e certificado de todos os cursos
Cursos inclusos
Garantia incondicional de 7 dias
Se você não gostar, basta escrever para suporte@tutoracursos.com.br que devolvemos seu investimento integralmente.
Perguntas frequentes
Cursos relacionados
Filosofia e Formação do Juízo As Virtudes Fundamentais
mauro-keller
A tradição clássica sobre prudência, justiça, fortaleza e temperança explicada com rigor e clareza.
Filosofia e Formação do Juízo Técnica, Ciência e Religião: Uma Nova Introdução ao Pensamento Grego
fabio-florencio-de-barros
O que os gregos descobriram sobre técnica, ciência e religião que nós esquecemos.
Filosofia e Formação do Juízo A Arte de Falar Bem
fabio-blanco
Oratória como formação do pensamento, não como coleção de truques para falar em público.
Filosofia e Formação do Juízo Filosofia da Natureza
eric-gramstrup
Uma introdução ao pensamento de Aristóteles, da metafísica à compreensão filosófica do mundo natural.