Técnica, Ciência e Religião: Uma Nova Introdução ao Pensamento Grego
Sobre o curso
A modernidade herdou uma imagem fragmentada do saber: a religião confinada ao sentimento, a ciência ao laboratório especializado, a técnica ao trabalho repetitivo. Esse fracionamento — diagnosticado por Max Weber como a "autonomia das esferas culturais de valor" — é tratado como inevitável. Este curso propõe um distanciamento crítico dessa visão, mostrando que o pensamento grego, em seus maiores expoentes, não conhecia essa ruptura.
Da cosmologia dos primeiros filósofos jônios ao sistema de Aristóteles, passando pela medicina hipocrática, pela dialética socrático-platônica e pela prova do Primeiro Motor Imóvel, o curso traça um percurso em que técnica, ciência e religião se articulam em uma visão coerente e ascendente da realidade. O professor Fábio Florencio de Barros conduz essa jornada com rigor filosófico e atenção permanente às implicações práticas dessas ideias para a vida contemporânea.
A perspectiva adotada é aristotélica em sua orientação mais profunda: o conhecimento não é um fim burocrático, mas a atividade mais própria do ser humano — aquela pela qual ele mais se aproxima do divino. Ao recuperar esse ideal, o curso não propõe uma volta ao passado, mas oferece instrumentos conceituais para pensar o presente com maior lucidez.
Para quem é este curso
- Leitores iniciantes de Platão e Aristóteles que desejam uma preparação conceitual sólida
- Adultos com formação universitária que sentem lacunas na compreensão da filosofia antiga
- Professores de filosofia ou humanidades que buscam aprofundar o tratamento dos pré-socráticos
- Pessoas insatisfeitas com a especialização excessiva e interessadas em uma visão integrada do saber
- Quem quer entender por que ciência, técnica e religião parecem mundos incomunicáveis hoje
O que você vai aprender
- Distinguir ocasião e causa no surgimento de fenômenos culturais, superando o reducionismo materialista
- Identificar as condições históricas, religiosas e sociais que tornaram possível a filosofia grega
- Compreender as noções de objetividade, inteligibilidade e explicabilidade como universais humanos
- Analisar o legalismo da religião grega e sua relação paradoxal com a liberdade intelectual
- Reconstruir o pensamento dos principais pré-socráticos — Tales, Anaximandro, Heráclito, Parmênides, Anaxágoras, Empédocles — em seus contextos próprios
- Explicar a contribuição da medicina hipocrática para o vocabulário filosófico de Platão e Aristóteles
- Descrever o procedimento dialético socrático-platônico e sua função pedagógica
- Contrastar a noção grega de ciência com a concepção moderna de pesquisa hipotético-experimental
- Expor o argumento aristotélico do Primeiro Motor Imóvel e sua dimensão afetiva e contemplativa
- Articular técnica, ciência e religião como dimensões integradas da vida humana segundo Aristóteles
Por que isso importa
A sensação de que o trabalho não faz sentido, de que a ciência não dialoga com a fé, de que a cultura técnica empobrece em vez de elevar — tudo isso tem raízes filosóficas identificáveis. Não se trata de nostalgia pelo passado grego, mas de perceber que determinadas divisões que hoje aceitamos como naturais são, na verdade, escolhas históricas com custos altíssimos para a vida das pessoas.
Este curso oferece os conceitos para nomear esse problema e, ao mesmo tempo, para vislumbrar alternativas. Quem aprende a pensar como os gregos pensaram a relação entre fazer, conhecer e adorar passa a dispor de um vocabulário mais preciso para avaliar decisões concretas: como educar, que profissão escolher, por que estudar além do útil imediato, e em que sentido o conhecimento pode ser também uma forma de vida.
Currículo do curso
- Apresenta o diagnóstico weberiano da modernidade e o projeto do curso: usar o pensamento grego para relativizar a separação estanque entre técnica, ciência e religião.
- Examina as condições econômicas, políticas e religiosas da Grécia antiga como ocasião — não causa — do florescimento filosófico, distinguindo os dois conceitos.
- Descreve o legalismo como conjunto de deveres rituais que paradoxalmente garantia liberdade doutrinal, com destaque para a função moral e política do oráculo de Delfos.
- Analisa as primeiras respostas filosóficas à pergunta pela archê da realidade, mostrando como elas superam os relatos míticos pelo critério de inteligibilidade racional.
- Apresenta a religiosidade órfica — metempsicose, purificação e distinção corpo-alma — como pano de fundo espiritual que alimentará o pensamento platônico posterior.
- Examina a seita pitagórica como racionalização do orfismo, com ênfase na numerologia, na relação mestre-discípulo e nos Versos de Ouro como programa de vida.
- Estuda os fragmentos de Heráclito a partir da noção central de Logos como razão que governa o fluir dos contrários, tornando a discórdia expressão de uma harmonia profunda.
- Descreve o surgimento da medicina como técnica racional baseada na physis, seu método diagnóstico pelos sentidos e o ideal de filantropia como vocação médica.
- Aprofunda os conceitos médicos de potência, configuração temporal, necessidade e tiqué, mostrando como eles migrarão para a filosofia de Platão e Aristóteles.
- Examina a contribuição de Parmênides ao formular explicitamente as exigências lógicas do pensamento — o ente é, do nada nada se faz — e sua aplicação a debates cosmológicos contemporâneos.
- Analisa a postulação do nous como inteligência ordenadora do cosmos, a teoria dos pontos qualitativos e o modelo de vida contemplativa encarnado por Anaxágoras.
- Estuda as quatro raízes, as forças cósmicas de amor e discórdia e a dimensão xamânica de Empédocles, situado como último representante de uma sabedoria antiga em declínio.
- Apresenta a contraposição entre natureza e lei por meio de Heródoto, Antifonte e Calicles, mostrando como o direito do mais forte emerge como consequência radical do relativismo sofístico.
- Analisa a resposta socrática ao problema physis-nomos por meio dos argumentos entrépticos — que fazem o interlocutor envergonhar-se de suas teses — e a crítica à alma tirânica.
- Examina como Sófocles e Crítias representam posturas opostas sobre nomos e physis, e como Platão integra essas intuições em um projeto de fundamentação racional da lei moral.
- Descreve a dialética como ascensão dirigida rumo à ideia do bem, com base nos estudos de Victor Goldschmidt e no exemplo do diálogo Laques sobre a coragem.
- Aprofunda os mecanismos dialéticos — aporia, exigências essenciais, papel de tentador — mostrando como o erro tem função pedagógica decisiva nos diálogos de Platão.
- Examina como Platão, no Fedro, purifica a retórica sofística ancorada-a na busca do bem e do belo, tornando-a expressão do amor filosófico em vez de instrumento de adulação.
- Mostra como Platão incorpora crenças órficas — imortalidade da alma, purificação, destino pós-morte — ao discurso racional, com destaque para o papel dos mitos no Górgias.
- Contrasta a concepção platônica de ciência como conhecimento permanente das essências com o modelo hipotético-refutável de Popper, situando a crise da especialização contemporânea.
- Estuda a figura platônica do demiurgo como artesão divino, a noção de alma do mundo no Timeu e a afirmação aristotélica de que a arte imita a natureza.
- Analisa a crítica platônica à mitologia oficial — deuses que justificam vícios humanos — e o esforço de purificação da concepção do divino em A República e nas Leis.
- Apresenta a metafísica aristotélica como chave da abóbada do edifício científico, com exemplos sobre as noções de substância, acidente, quantidade e vácuo relativo.
- Comenta as primeiras linhas da Metafísica de Aristóteles, mostrando a ascensão do pensamento desde a sensação e a memória até a experiência e o hábito da arte ou técnica.
- Distingue experiência e ciência em Aristóteles — quem conhece as causas pode ensinar, quem só tem experiência dá dicas — e discute a vocação científica como busca do saber por si mesmo.
- Expõe a prova aristotélica da existência de Deus a partir do movimento, destacando que o Motor Imóvel move por ser amado e que a contemplação é a atividade que o homem compartilha com Deus.
- Examina a concepção aristótelica do sábio como alguém que se aproxima de Deus pelo intelecto, articulada com a teoria das doze camadas da personalidade de Olavo de Carvalho.
- Conclui o curso mostrando como a obra de Aristóteles representa a síntese do pensamento grego e por que resgatar essa integração é urgente para a crise de sentido da modernidade.
Teste seu conhecimento sobre Técnica, Ciência e Religião: Uma Nova Introdução ao Pensamento Grego
Qual é a tese central que Max Weber formulou para descrever as sociedades modernas e que o curso se propõe a relativizar?
Curiosidades que despertam o interesse
Os homens que exerciam funções sacerdotais na Grécia, ao contrário do Egito e da Mesopotâmia, não eram funcionários profissionais: eram cidadãos comuns — agricultores, comerciantes — que num dado momento iam ao templo oferecer sacrifícios e voltavam à vida cotidiana.
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Perguntas frequentes
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