As Virtudes Fundamentais
Sobre o curso
Desde Platão e Aristóteles até Santo Tomás de Aquino e Josef Pieper, a tradição central da filosofia moral ocidental organiza a vida ética em torno de quatro virtudes fundamentais — chamadas cardeais porque funcionam como eixos em torno dos quais todo o comportamento humano se orienta. Este curso percorre essa tradição de ponta a ponta, sem saltar as dificuldades e sem simplificar o que não é simples.
Mauro Keller aborda o tema com a perspectiva de quem une formação filosófica e experiência jurídica: o direito romano, a jurisprudência, os absolutos morais, a diferença entre prudência e técnica, e a doutrina da conexão das virtudes aparecem não como curiosidades acadêmicas, mas como instrumentos para compreender decisões reais. A voz do curso é aristotélica no método — pé no chão, atenta às circunstâncias, desconfiada de regras prontas — e tomista na profundidade com que cada conceito é desenvolvido.
Você não encontrará aqui receitas de comportamento nem listas de atitudes a cultivar. Encontrará, em vez disso, a compreensão do que é uma virtude, por que ela difere de um temperamento ou de uma técnica, como prudência e virtude moral se condicionam mutuamente e por que isso importa para quem educa, governa, julga ou simplesmente quer viver com mais coerência.
Para quem é este curso
- Leitores de filosofia que querem ir além dos manuais introdutórios de ética
- Pais e educadores que buscam fundamentos sólidos para a formação moral de crianças e adolescentes
- Profissionais do direito interessados nas raízes filosóficas da jurisprudência e da prudência política
- Pessoas que já ouviram falar em virtudes cardeais e querem entender o que essa tradição realmente diz
O que você vai aprender
- Definir virtude como hábito operativo bom e distingui-la de temperamento e de incontinência
- Compreender por que a prudência é considerada a mãe de todas as virtudes morais
- Distinguir prudência de técnica, de ciência e dos primeiros princípios práticos da sindérese
- Explicar a doutrina da conexão das virtudes e o aparente paradoxo que ela encerra
- Identificar as partes integrantes da prudência: memória, docilidade, solércia, providência, circunspecção e cautela
- Diferenciar as três formas de justiça — comutativa, distributiva e legal — e seus vícios opostos
- Reconhecer as manifestações da fortaleza no campo do ataque e no campo da resistência
- Compreender a temperança como virtude do equilíbrio, não da supressão do prazer
- Relacionar a intemperança com a formação de falsas consciências coletivas ao longo da história
- Situar autores como Aristóteles, Santo Tomás, Pieper, Hildebrandt e MacIntyre dentro da tradição das virtudes
Por que isso importa
As decisões que moldam uma vida — como educar um filho, até onde resistir numa situação difícil, o que fazer quando a lei não resolve — não se resolvem por regras gerais. Resolvem-se pelo caráter de quem decide. Entender as virtudes fundamentais é entender como esse caráter se forma, o que o sustenta e por que ele pode deteriorar-se.
Para quem tem responsabilidades sobre outros — pais, professores, juízes, gestores — essa formação é ainda mais urgente. A tradição clássica não oferece um manual, mas oferece algo mais valioso: uma linguagem precisa para nomear o que está em jogo em cada escolha e uma compreensão do tipo de pessoa que precisamos nos tornar para escolher bem.
Currículo do curso
- Apresenta o conceito de virtude como hábito operativo bom, distingue potências unidirecionais e pluridirecionais, e introduz o esquema das quatro virtudes cardeais a partir da estrutura das faculdades humanas.
- Examina o caráter ambivalente da prudência como virtude intelectual e moral, seu papel de fixar o meio-termo das demais virtudes e a figura do frônimos aristotélico como padrão da decisão ética.
- Distingue prudência de técnica e de razão especulativa, desenvolve a doutrina da conexão das virtudes, o salto fronético de Ricœur e as partes integrantes da prudência segundo Santo Tomás: memória, docilidade, solércia, providência, circunspecção e cautela.
- Define a justiça como virtude da vontade, apresenta a fórmula ulpiana do Digesto, distingue justiça comutativa, distributiva e legal e discute os limites da justiça estrita frente à amabilidade, à gratidão e ao amor.
- Percorre as manifestações da fortaleza no campo do ataque — coragem, laboriosidade, magnanimidade, ira justa — e no campo da resistência — paciência, perseverança, fidelidade —, com atenção especial à dependência da fortaleza em relação à prudência e à justiça.
- Trata da temperança como virtude do equilíbrio no apetite concupiscível, abordando castidade, sobriedade, austeridade e humildade, e mostra como a intemperança está na raiz de falsas consciências coletivas como a escravidão moderna e o abortismo.
Teste seu conhecimento sobre As Virtudes Fundamentais
Segundo a tradição clássica iniciada por Platão e Aristóteles, quantas são as chamadas virtudes cardeais ou fundamentais?
Curiosidades que despertam o interesse
A palavra latina 'prudentia' deriva de 'providentia', que por sua vez vem de 'porro-videntia' — literalmente, 'ver desde longe'. O prudente é, etimologicamente, aquele capaz de enxergar à distância as consequências de seus atos.
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Perguntas frequentes
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