História do Pensamento Ético
Sobre o curso
Este curso percorre a história do pensamento ético ocidental desde as narrativas homéricas e a tragédia grega até os autores contemporâneos, passando pelos grandes clássicos — Sócrates, Platão, Aristóteles — pelo pensamento medieval de Agostinho e Tomás de Aquino, pelas rupturas da modernidade e pelos diagnósticos inquietos de Nietzsche, Sartre, Ortega y Gasset e MacIntyre.
A abordagem é filosófica e formativa: não se trata de catalogar doutrinas, mas de acompanhar o modo como cada época tentou responder à pergunta fundamental — o que é o homem e como ele deve viver. A professora conduz esse percurso com atenção ao contexto histórico de cada autor e com cuidado para mostrar onde cada resposta acerta, onde falha e o que ainda tem a nos ensinar.
O curso parte do pressuposto de que estudar ética é uma atividade séria, ligada às decisões reais da vida: como formamos o caráter, o que vale a pena querer, como nos relacionamos com os outros e com o bem comum. Não se espera que você saia com um manual de respostas, mas com conceitos mais claros e com um repertório mais rico para pensar por conta própria.
Para quem é este curso
- Pessoas que querem entender a origem das ideias éticas que circulam na cultura contemporânea
- Estudantes de filosofia, direito, pedagogia ou teologia que buscam uma visão panorâmica da ética ocidental
- Pais e educadores que desejam fundamentar sua prática em uma tradição intelectual clara sobre virtude e formação do caráter
- Leitores de clássicos que querem contextualizar Platão, Aristóteles ou Agostinho dentro de uma história mais ampla
- Quem sente que o debate ético contemporâneo é confuso e quer recuperar os conceitos que lhe dão sentido
O que você vai aprender
- Distinguir a concepção clássica de eudaimonia da noção contemporânea de felicidade
- Compreender a noção de areté e seu desenvolvimento desde Homero até a ética das virtudes em Aristóteles
- Identificar as principais virtudes cardeais e o papel central da prudência na vida prática
- Analisar o problema do mal em Santo Agostinho e sua relação com a liberdade e o amor ordenado
- Entender as fontes da moralidade do ato humano segundo São Tomás de Aquino
- Reconhecer a ruptura introduzida por Maquiavel entre ética e política e suas consequências históricas
- Examinar a moral deontológica de Kant e o imperativo categórico como critério universal de ação
- Avaliar a crítica de Nietzsche à tradição moral e o alcance e os limites do niilismo
- Aplicar os conceitos de vocação, circunstância e projeto vital de Ortega y Gasset à compreensão da vida pessoal
- Reconhecer a proposta de MacIntyre de recuperar a ética das virtudes como resposta à desorientação contemporânea
Por que isso importa
A desorientação ética não é uma impressão — é um diagnóstico que autores tão diferentes quanto Ortega y Gasset e MacIntyre formularam com precisão. Usamos palavras como "virtude", "bem", "justiça" e "felicidade" sem saber ao certo o que elas significam, porque as herdamos de tradições que não estudamos. O resultado é que as discussões morais frequentemente se reduzem a disputas de preferências, sem nenhuma base comum.
Conhecer a história do pensamento ético não resolve esse problema de uma vez, mas oferece algo indispensável: um vocabulário preciso e uma memória das respostas que já foram tentadas. Saber por que Aristóteles entendia as virtudes como hábitos, por que Agostinho insistia na ordem do amor, por que Kant separou o dever do interesse — tudo isso muda a qualidade das perguntas que você faz sobre a sua própria vida. E perguntas melhores, mesmo sem respostas imediatas, já são uma forma de viver com mais seriedade.
Currículo do curso
- Apresenta os pressupostos do estudo ético: a natureza do ser humano como composto de corpo, alma, inteligência, vontade e afetos; a noção de eudaimonia; e as definições clássicas de bem, mal e o próprio termo ética a partir dos étimos gregos.
- Examina a Ilíada e a Odisseia como fontes da primeira concepção de areté — excelência ligada à função social —, a noção de hybris como desmedida e o papel formativo das narrativas na cultura grega.
- Analisa a Oresteia de Ésquilo, o Édipo Rei de Sófocles e a Medeia de Eurípides como dramatizações dos problemas do destino, da responsabilidade individual, do conflito entre leis humanas e divinas e da justiça.
- Introduz o pensamento de Aristóteles — filho de médico, discípulo de Platão, fundador do Liceu —, sua visão teleológica da realidade e o conceito central de telos como fundamento da ética.
- Examina os elementos necessários à eudaimonia segundo a Ética a Nicômaco — prazer, honra, sorte, amizade —, e demonstra por que o caráter formado por hábitos é o fator decisivo para a felicidade humana.
- Detalha a temperança, a fortaleza, a justiça e a prudência como virtudes-pilares do caráter, explicando a noção aristotélica do meio-termo entre vícios de excesso e de falta.
- Apresenta Epicuro e a filosofia do Jardim, distinguindo os três tipos de prazer — naturais e necessários, naturais e não necessários, não naturais —, e os ideais de ataraxia e aponia como condições da felicidade.
- Situa Sócrates no contexto da democracia ateniense e dos sofistas, apresenta a atividade dialética e maiêutica como método filosófico e explica a passagem da areté técnica para a areté moral.
- Analisa a condenação e a defesa de Sócrates na Apologia, sua convicção sobre a imortalidade da alma e a tese central do intelectualismo socrático: conhecer o bem é praticá-lo, e o erro é sempre fruto da ignorância.
- Examina a inseparabilidade entre episteme e areté em Sócrates, a tese de que ninguém erra voluntariamente, a unidade das virtudes como modo de ser racional e o problema de como a virtude pode ser ensinada.
- Apresenta Platão como discípulo de Sócrates e fundador da Academia, explica o significado dos diálogos como filosofia dramática e introduz a metafísica das ideias — o eidos como forma substancial, não conteúdo mental.
- Desenvolve a centralidade da justiça na ética platônica, a hierarquia dos transcendentais do ser com a ideia de Bem no topo, e comenta o Mito do Anel de Giges como teste para distinguir a justiça verdadeira da justiça por conveniência.
- Analisa a estrutura tripartida da alma (razão, apetite irascível, apetite concupiscível) espelhada na pólis, a proposta do rei-filósofo, as quatro virtudes como harmonia da alma e a paideia do amor apresentada no Banquete.
- Contextualiza o helenismo como período de desorientação moral após Alexandre Magno, apresenta o ideal estoico do sábio autárquico e examina Sêneca — preceptor de Nero, autor das Cartas a Lucílio — e suas reflexões sobre apatia, ataraxia, tempo e amizade.
- Distingue a mentalidade cristã da pagã — criação, providência, pecado original, graça, tempo linear — e introduz Santo Agostinho, seu percurso de conversão, o método das Confissões e sua disputa com o maniqueísmo.
- Expõe a solução agostiniana ao problema do mal como privação de bem devido, explica o mau uso da liberdade como origem do pecado e apresenta a doutrina da ordem do amor — 'ama e faz o que quiseres' — como núcleo da ética agostiniana.
- Apresenta São Tomás como síntese entre Aristóteles e a Sagrada Escritura, distingue ato do homem de ato humano, explica as três fontes da moralidade (objeto, intenção, circunstâncias) e a hierarquia das leis: eterna, natural, humana e divina.
- Detalha como São Tomás reinterpreta a temperança, a fortaleza e a justiça, e por que a prudência — reta razão no agir — é a rainha das virtudes, analisando seus componentes: memória, reflexão, estimação, docilidade, solércia, eubolia, sínese e gnome.
- Examina O Príncipe como marco da separação entre ética e política, o realismo político de Maquiavel, a redefiniçao de virtù como habilidade eficaz, e a relação entre virtù e fortuna como critério de ação do governante.
- Apresenta Nietzsche filólogo e crítico da tragédia grega, a distinção entre espírito apolíneo e dionisíaco, sua crítica a Sócrates e ao cristianismo, e os conceitos de vontade de poder e moral dos escravos.
- Desenvolve o anúncio nietzschiano da morte de Deus em Assim Falou Zaratustra, o ideal do super-homem como realização da vontade de potência, o amor fati, o eterno retorno e o niilismo como estado psicológico de aceitação da ausência de sentido.
- Introduz o raciovitalismo de Ortega, a fórmula 'eu sou eu e a minha circunstância', a distinção entre possibilidade e circunstância incorporada, e a vocação como tarefa que o indivíduo recebe e que somente ele pode realizar.
- Aprofunda o conceito de projeto vital, o fenômeno do acanalhamento como abdicação de si mesmo, o diagnóstico do homem massa na Rebelião das Massas, e a distinção entre ensimesmamento e alteração como modos opostos de habitar a vida.
- Apresenta o existencialismo ateu de Sartre — a existência precede a essência, o homem condenado a ser livre —, a má-fé nas relações humanas e a peça Entre Quatro Paredes como dramatização do problema do olhar do outro e da angústia da gratuidade.
- Situa Descartes no início da modernidade, expõe o método da dúvida hiperbólica e o cogito ergo sum como certeza fundante, e apresenta as quatro regras da moral provisória — obediência aos costumes, perseverança, reforma de si e busca pela razão.
- Examina a antropologia pessimista de Hobbes — homo lupus homo —, o contrato social como cessão do poder individual ao soberano e os princípios que deveriam orientar os cidadãos para facilitar a paz num estado naturalmente conflituoso.
- Apresenta o panteísmo de Spinoza — todas as coisas como modos de uma única substância divina —, sua ética racionalista na qual o conhecimento liberta das paixões, e o ideal de contemplar a vida sub specie aeternitatis como caminho de liberdade.
- Expõe a teoria moral kantiana como crítica ao eudaimonismo, ao hedonismo e ao utilitarismo, apresenta o imperativo categórico e o hipotético, a distinção entre autonomia e heteronomia, e o papel dos postulados práticos — Deus, liberdade e imortalidade da alma.
- Analisa o diagnóstico de MacIntyre em Depois da Virtude — a fragmentação dos conceitos éticos modernos como equivalente a termos científicos sem contexto —, sua proposta de retorno à ética das virtudes de Aristóteles articulada em torno de prática, narrativa e tradição, e o ideal de pequenas comunidades como resposta prática.
- Conclusão do curso com síntese do percurso realizado — da antiguidade à contemporaneidade — e indicações bibliográficas para o aprofundamento dos autores e temas estudados.
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