O Fim da Educação
Sobre o curso
A palavra "fim" carrega dois sentidos que este curso explora sem separação: o fim como declínio — a escola em estado de calamidade, os índices de proficiência, o ambiente de violência e a manipulação sistemática das consciências — e o fim como finalidade, aquela orientação que a educação sempre deveria ter oferecido e que, em grande parte, deixou de oferecer.
Fausto Zamboni, professor e pesquisador da obra de Dante Alighieri, conduz o percurso a partir de uma referência incomum para um curso de educação: a Divina Comédia. Assim como Dante parte da selva escura em direção à luz, o curso desce primeiro ao fundo do problema — as raízes filosóficas da modernidade, o ativismo gnóstico, a instrumentalização da escola pelo Estado e pelas ideologias do século XX — para depois ascender em direção às concepções educativas da Antiguidade e da Idade Média, onde a educação ainda era entendida como um percurso de amor à sabedoria.
O tom é o de quem viveu a crise por dentro, como professor, e procurou nela não apenas um motivo de indignação, mas uma pergunta filosófica séria: como chegamos aqui? E, sobretudo: o que significa, de fato, educar um ser humano?
Para quem é este curso
- Pais que sentem desconforto com o que a escola pública oferece aos filhos e querem entender por quê.
- Professores que percebem que algo está profundamente errado no sistema e querem fundamentar essa intuição.
- Pessoas com formação universitária que suspeitam que foram mal formadas e buscam uma perspectiva mais sólida.
- Leitores interessados em filosofia da educação que querem ir além dos manuais pedagógicos contemporâneos.
- Quem já leu ou quer ler Dante e deseja compreender a dimensão educativa da Divina Comédia.
O que você vai aprender
- Distinguir o sentido clássico de educação do conceito moderno de instrução obrigatória em massa.
- Rastrear as origens filosóficas da crise educacional desde Kant, Fichte, Hegel e Marx até o relativismo contemporâneo.
- Identificar a mentalidade gnóstica como substrato comum das ideologias modernas e sua influência na escola.
- Compreender como o sistema escolar foi criado como instrumento de controle político e uniformização cultural.
- Analisar as técnicas de manipulação de comportamento — de Skinner a Milgram — introduzidas na prática pedagógica.
- Reconhecer a estratégia marxista e fabiana de ocupação da escola como campo de revolução cultural.
- Interpretar a teoria do conhecimento em Santo Agostinho e Boécio como fundamento de uma educação integral.
- Ler a Divina Comédia de Dante como um itinerário educativo que vai da ignorância à contemplação da verdade.
- Avaliar criticamente a pedagogia centrada no aluno e a dinâmica de grupo como técnicas de modificação de atitudes.
- Formular uma resposta pessoal à crise educacional a partir da tradição clássica e medieval.
Por que isso importa
A maioria das pessoas que passou pela escola saiu dela sem saber ler adequadamente — não no sentido de decodificar palavras, mas de compreender o que lê. Esse não é um dado de má gestão. É o resultado de décadas de decisões filosóficas, políticas e pedagógicas que transformaram a escola num instrumento de outro projeto que não o de formar pessoas.
Entender esse processo importa porque ele afeta escolhas concretas: como educar os próprios filhos, que tipo de professores queremos ser, o que exigir de uma escola, e como reconhecer quando um argumento sobre educação serve à formação humana genuína ou à sua dissolução. Sem esse diagnóstico, qualquer proposta de melhora fica à mercê dos mesmos pressupostos que criaram o problema.
Currículo do curso
- Apresenta a estrutura do curso a partir da dupla significação do título e introduz Dante como guia do percurso educativo, da selva escura ao paraíso.
- Examina índices de proficiência em leitura do SAEB, dados de violência escolar e o paradoxo entre alto investimento público e resultados pífios.
- Contrasta a relação mestre-discípulo da Antiguidade com o sistema de ensino obrigatório e mostra como a expansão escolar mudou estruturalmente o significado da educação.
- Analisa a ideia wittgensteiniana de que os limites do mundo são os limites da linguagem e como ela conduz ao relativismo que dissolve os parâmetros educativos.
- Descreve, a partir de Eric Voegelin e Julián Benda, a postura gnóstica do intelectual moderno: crítica estrutural do mundo, ativismo transformador e traição da função teórica do sábio.
- Examina a crítica kantiana do conhecimento, a ênfase na ação sobre a contemplação e como essas ideias reorientaram a filosofia da educação em direção ao fazer e à formação para o mercado.
- Mostra como a noção de evolução dialética migrou da filosofia para a história, tornando-se o mito do progresso que justifica a mentalidade revolucionária e instrumentaliza a escola.
- Relata a criação do sistema de ensino prussiano e francês como instrumentos de unificação nacional e controle das novas gerações, em substituição às escolas religiosas e às iniciativas da sociedade civil.
- Analisa como a concepção empirista do homem como tábula rasa e o estudo dos determinismos comportamentais conduziram à ideia de produção em série de 'produtos humanos' e à manipulação técnica dos alunos.
- Detalha experimentos clássicos de psicologia social — Salomon Asch, Stanley Milgram, Musafer Sherif — e mostra como foram incorporados à prática pedagógica via dinâmica de grupo e dissonância cognitiva.
- Examina como a intelectualidade marxista, via Horkheimer, Lukács, Bourdieu e os eventos de 1968, passou a ver a escola como campo central da revolução cultural e a família como alvo prioritário de desconstrução.
- Descreve o projeto de modificação de atitudes em escala internacional conduzido pela Unesco, a pedagogia centrada no aluno como vetor de mudança comportamental e o processo gradual de internacionalização do currículo.
- Mostra como o positivismo, Husserl e a desconstrução de Derrida culminam na incapacidade de distinguir verdade de narrativa e como essa fragmentação se reflete na especialização sem cultura geral.
- Interpreta a Divina Comédia como compêndio educativo medieval, explorando o exemplo de Orfeu, os quatro sentidos alegóricos e o sonho de Lia e Raquel como símbolo da vida ativa e contemplativa.
- Articula a teoria do conhecimento de Santo Agostinho e Boécio — sentidos, fantasia, razão e intelecto — com o percurso dantesco, propondo a contemplação amorosa da verdade como finalidade última da educação.
Teste seu conhecimento sobre O Fim da Educação
Por que o curso se chama "O Fim da Educação"?
Curiosidades que despertam o interesse
O primeiro sistema nacional de ensino moderno nasceu na Prússia, no início do século XIX, justamente na pátria de Kant, Fichte, Hegel e Marx. O ministro von Stein chegou a abolir todas as escolas particulares para que tudo passasse pela tutela do Estado.
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Perguntas frequentes
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