Patrística: Agostinho e Dionísio Areopagita
Sobre o curso
Há um momento em que o cristianismo deixa de ser apenas uma mensagem proclamada e passa a ser também um pensamento elaborado — e esse momento se chama Patrística. Este curso percorre o período que vai dos primeiros séculos da era cristã até o limiar da Idade Média, com atenção concentrada em duas figuras que sintetizam, de formas distintas, o encontro entre a fé bíblica e a filosofia grega: Santo Agostinho de Hipona e o Pseudo-Dionísio Areopagita.
O professor conduz a exposição com rigor histórico e filosófico, situando cada autor no seu contexto: as perseguições do Império Romano, as heresias que forçaram a precisão doutrinal, o fervilhar intelectual de Alexandria, a decadência da cultura latina e o neoplatonismo pagão de Plotino e Proclo como interlocutores inevitáveis. Não se trata de uma história eclesiástica, mas de uma história das ideias — de como conceitos como substância, pessoa, memória, iluminação e união foram sendo forjados no calor de disputas reais.
Agostinho aparece aqui não apenas como teólogo, mas como o primeiro pensador a mapear a subjetividade humana com profundidade sistemática — e como alguém cuja angústia interior ressoa de modo perturbadoramente contemporâneo. Dionísio, por sua vez, é apresentado como o pensador que traduziu a metafísica neoplatônica em linguagem cristã, legando à tradição ocidental as categorias da teologia mística, da hierarquia e da divinização. O curso se encerra com uma leitura panorâmica da transmissão das ideias platônicas até a escolástica medieval.
Para quem é este curso
- Leitores de filosofia ou teologia que querem entender as raízes intelectuais do pensamento cristão ocidental
- Estudantes de humanidades que se deparam com Agostinho, Tomás de Aquino ou a mística medieval e precisam de um ponto de partida sólido
- Pessoas de fé que desejam compreender por que a Igreja elaborou doutrinas como a Trindade e o que isso implica filosoficamente
- Interessados em Platão e no neoplatonismo que querem ver como essas ideias sobreviveram e se transformaram no mundo cristão
O que você vai aprender
- Distinguir as características do pensamento latino e do pensamento grego oriental na formação do cristianismo antigo
- Compreender o papel das heresias — especialmente o arianismo — na consolidação da doutrina cristã
- Identificar as três hipóstases de Plotino e sua influência sobre a teologia cristã posterior
- Analisar a conversão de Agostinho e a dupla exigência de crer para entender e entender para crer
- Explicar a analogia trinitária da alma humana em Agostinho — memória, inteligência e vontade — e seus desdobramentos
- Mapear as principais recepções do pensamento agostiniano do medievo até a modernidade, de Anselmo a Descartes
- Compreender por que o Pseudo-Dionísio escreveu sob pseudônimo apostólico e o que isso revela sobre o contexto cultural do século V-VI
- Distinguir as três teologias dionisianas — simbólica, discursiva e mística — e sua relação com os três movimentos da alma
- Entender o conceito de tearquia em Dionísio e por que ele prefere esse termo ao nome Deus
- Reconhecer a transmissão das ideias platônicas até a escolástica pelas vias patrística e greco-árabe
Por que isso importa
Muito do que chamamos de cultura ocidental — a noção de pessoa, a ideia de consciência, a distinção entre natureza e graça, a estrutura hierárquica das instituições, a linguagem da interioridade — tem raízes neste período que o curso percorre. Conhecer Agostinho e Dionísio não é exercício de arqueologia intelectual; é encontrar as categorias com que ainda pensamos, muitas vezes sem saber.
Para quem lida com questões de formação humana, educar o juízo exige compreender de onde vêm os conceitos que organizam nossa visão de realidade. A pergunta agostiniana sobre o sentido da própria história, a ideia dionisiana de que o homem é o elo entre o material e o espiritual, a convicção patrística de que a razão e a fé se informam mutuamente — tudo isso continua ativo nas formas como avaliamos instituições, julgamos decisões morais e tentamos dar coerência à nossa existência.
Currículo do curso
- Apresenta o paleo-cristianismo, a rivalidade com o Império Romano, as escolas de Alexandria e Antioquia, o desafio ariano e o papel do Concílio de Niceia como marco doutrinal.
- Examina o ethos prático do pensamento latino, o papel da gramática e da retórica na educação clássica, e como os cristãos latinos — de Tertuliano a Ambrósio de Milão — apropriaram esses instrumentos.
- Percorre o platonismo desde a Academia até Plotino, expondo as três hipóstases — Uno, Espírito e Alma do Mundo — e a teologia negativa como resposta ao problema do princípio inexpressável.
- Situa Agostinho na decadência do Império Romano, analisa sua formação em retórica, sua passagem pelo maniqueísmo e sua dupla conversão ao cristianismo e ao neoplatonismo sob a influência de Ambrósio.
- Mostra por que Agostinho ainda é pertinente: a angústia como alimento interior, a reflexividade da alma, o diálogo do eu consigo mesmo como caminho para Deus, e a beleza como sentido da história.
- Expõe a analogia psicológica da Trindade em Agostinho — memória orientada à beleza, inteligência à verdade e vontade ao bem — e as implicações dessa estrutura para a vida moral, estética e intelectual.
- Mapeia as principais leituras de Agostinho ao longo da história: Boécio, Anselmo, Bernardo de Claraval, os franciscanos, Tomás de Aquino, Descartes, Pascal, os místicos carmelitas e a fenomenologia contemporânea.
- Examina o Império Bizantino, as escolas de Alexandria e Antioquia, as heresias cristológicas e trinitárias, e os padres capadócios — Basílio, Gregório de Nissa e Gregório Nazianzeno — como inauguradores do neoplatonismo cristão oriental.
- Analisa Jâmblico e a virada teúrgica do neoplatonismo, depois Proclo como o grande sistematizador pagão: as tríades, a dialética de imanência, processão e retorno, e o problema da linguagem simbólica.
- Reconstrói a história crítica da figura do Pseudo-Dionísio: a confusão de identidades, a recepção medieval como autoridade apostólica, e os estudos do século XIX que identificaram a dependência dionisiana em relação a Proclo.
- Expõe o núcleo do pensamento dionisiano: a tearquia como princípio divino, os três movimentos da alma (circular, espiral e retilíneo), as três teologias (mística, discursiva e simbólica) e o caminho de purificação, iluminação e união.
- Percorre a influência de Dionísio do Ocidente ao Oriente: Máximo Confessor, Gregório Magno, Hugo de São Vítor, Alberto Magno, Boaventura, Tomás de Aquino, os místicos renanos, João da Cruz e os fenomenólogos contemporâneos.
- Traça as vias de transmissão do platonismo até a Idade Média — a via patrística e a via greco-árabe, com a mediação dos cristãos de Bagdá — e mostra como essa herança formou pensadores tão distintos quanto Boaventura e Tomás de Aquino.
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